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domingo, julho 18, 2010

I never told you

Você me irritava, me tirava do sério. Suas brincadeiras eram infantis e suas falas são clichês. Brigávamos dia e noite. Por motivos fúteis ou por motivo nenhum. Eu gritava com você e você perdia o controle. Se virava, derrubava algo ou esmurrava a parede. Reprimia um grito ou simplesmente o libertava.
Me assustava.

Eu me encolhia em algum canto da sala, escondendo o rosto enquanto tentava reprimir algumas lágrimas. Esperava que fosse embora. Você não ia. Passavam-se alguns minutos de um silêncio que me enlouquecia e você se aproximava. Minhas barreiras iam ao chão e eu irrompia em soluços. Você tocava o meu braço e eu tentava inutilmente me afastar. Você me abraçava.

-Desculpa. - Sussurrava em meu ouvido, com profunda sinceridade. Eu notava tristeza e dor.

Isso me cansava. Era tão repetitivo. Mas como ouvi em algum lugar, pra toda noite de tormenta existe uma manhã ensolarada. É verdade.

Seu abraço me aquecia, confortava e me passava segurança e tranquilidade. Você estava presente em cada momento da minha vida, fosse ele triste ou feliz. Você me consolava apenas por estar presente. Me deixava tonta quando sorria aquele sorriso torto que ninguém tem, me causava danos respiratórios. Fazia meu coração dançar fora do ritmo com um simples olhar. Sabia ser piegas nas horas certas e me beijava de um jeito que ninguém nunca o fez.
E eram esses curtos momentos que me inundavam de uma alegria tão imensa, que anulavam todo o mal que estar com você me fazia. Mas eu nunca te disse o que eu deveria ter dito. Talvez por falta de oportunidade. Talvez por medo.
Agora é tarde.


"No, I never told you
I just held it in
And now,
I miss everything about you
I can't believe that I still want you
And after all the things we've been through
I miss everything about you"

sexta-feira, março 19, 2010

Cleer não o via tinha um ano, porém tentavam manter contato por e-mails e conversas que iam madrugada adentro.
Depois de passarem horas em um cabo de guerra que durava por volta de meia hora com vários ‘desliga você’ e risadas abafadas pelo travesseiro, ela se pegava pensando em como ele a fazia radiar mesmo que distante.
Marc tinha o dom de fazê-la sentir arrepios que iam dos pés até a ponta do nariz, que se enrugava com o calafrio. Ouvir sua voz grave dizer aquelas oito letrinhas mágicas faziam seu corpo enrijecer, seu coração bater descompassadamente, suas bochechas brancas se incandescerem queimando no escuro da noite gélida, ao mesmo tempo em que borboletas se inquietavam em seu estômago e um nó se formava em sua garganta. Depois de se perder em pensamentos, suas engrenagens paravam bruscamente e o silêncio que ficava era ensurdecedor, fazia Cleer querer correr - imediatamente - pra onde quer que Marc estivesse, nem que fosse para passar toda uma noite escutando sua respiração irregular quebrar o silêncio que fazia com que ela ouvisse seu próprio sangue pulsar.
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